Agenda

ÉVORA - Sábado, 19 de Maio - 18h

53º Concurso de Ganadarias

Toiros de Condessa de Sobral, Branco Núncio, Murteira Grave, Passanha, São Torcato, Engº Luis Rocha  

João Moura - Luis Rouxinol - João Ribeiro Telles Jr.

Forcados de Évora e Aposento da Moita

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Crónica Campo Pequeno
Escrito por Patrícia Sardinha   
Sexta, 20 Maio 2011 17:03

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Vieram ‘charters’ dos Açores

 

faltou o ‘chinês’ 

 

 

Para os que andam actualizados com o que se passa no meio televisivo e desportivo, recordarão um testemunho do ex-jogador Paulo Futre aqui há uns meses, onde anunciava que, caso o candidato dele à presidência de um dito clube ganhasse, seria contratado um jogador chinês e atrás dele viriam charters (voos) a toda a hora com turistas chineses para o verem.

 

Ontem no Campo Pequeno não havia nenhum artista chinês, mas os toiros, a verdadeira essência e matéria-prima da Tauromaquia e os forcados, representação de uma das mais nobres tradições portuguesas, trouxeram atrás de si muitos seguidores até à praça. No entanto, a corrida ficaria 'ensombrada' pela notícia que cedo no dia de ontem começou a circular pelos mentideros, e mais tarde confirmada pela empresa, relativa à ausência do espanhol Alejandro Talavante na corrida.

O matador apresentara um atestado médico onde dava conta que por motivos de saúde, não poderia actuar na corrida mista em Lisboa. Certo é que apesar de parecermos parvos, não o somos, e esse atestado não foi bem engolido pela afición portuguesa que sabe que a doença de Talavante se chama Madrid. É que o espanhol, depois de ter saído em ombros já esta semana pela Porta Grande de Las Ventas, tem agendada nova actuação para hoje (dia seguinte à sua suposta participação em Lisboa) e nestas coisas de praça importante, não se pode correr riscos e abdicou de Lisboa.

Mas pergunto eu na minha inocência... se as corridas de Madrid e a de Lisboa já estavam agendadas há tanto tempo, será certo que só no próprio dia tenha passado na cabeça de Talavante não vir a Portugal? Será que a empresa não tería há mais tempo conhecimento desta situação? Como se contratou o colombiano Luís Bolívar tão em cima da hora? Ou será que deu a Talavante...medo do Rego Botelho mesmo sem lhes ter metido a vista em cima? Mas isto são dúvidas minhas, que não percebo nada de contratações de toureiros... de resto, sim Talavante esteve mal. Mas ele lá sabe o que lhe pesa mais e definitivamente a afición portuguesa não lhe importa. Talvez também nos sirva para reflexão sobre a imagem/peso que a nossa Festa transmite lá fora....

 

Os toiros de Rego Botelho, com trapio os da lide a cavalo, com menos cara os das actuações a pé, mostraram a fibra do toiro-toiro açoriano, se bem que há um ano pastam no Alentejo. Mas apesar de faltar o 'medidor' da puya para realmente revelar onde está a bravura, podemos afirmar que o curro de Rego Botelho foi sobrado de virtudes, pena que tão mal aproveitadas...

 

 

Joaquim Bastinhas abriu a noite frente a uma bonito toiro de Rêgo Botelho com 535 kg, muito colaborador. Bastinhas sempre foi cavaleiro para chegar às bancadas com grande facilidade, facto que não aconteceu nesta noite no Campo Pequeno. Uma lide vulgar, sem grandes destaques, onde apenas se viu o público conectar com ele quando foi para lhe exigir o par de bandarilhas. Passagem discreta a do elvense.

 

Quem também não teve actuação de muita vibração junto das bancadas foi Luís Rouxinol. Primeiro o toiro do seu lote, uma estampa, com 568 kg, lesionou-se após cravagem do primeiro ferro comprido. O sobrero, com 580 kg, tinha menos andamento. Procurou exibir-se em ladeios, deixou a ferragem regular, mas definitivamente a noite não era para cavalos.

 

Da lide a duo, frente a um toiro com 590 kg, nada há para contar. Desconcertante, saturante...impossíveis de aturar as lides a duo, pelo menos as que não têm ligação entre artistas, para não falar do quanto é desaproveitado o toiro com este tipo de actuações.

 

Os Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense por vezes complicaram o que poderia ser fácil. Primeiro pegou Marco Sousa à segunda tentativa, com o primeiro ajuda a ser importante para lá o manter, depois de no primeiro intento não se ter fechado bem; José Vicente pegou à primeira com o grupo a colaborar bem; o cabo Adalberto Belerique esteve mal no primeiro intento não tendo reunido bem, num segundo levou um grande derrote e quase fez o pino em cima o toiro e à terceira com as ajudas carregadas, ainda saíu da cara do toiro, foi recomposto... e pronto, deram por consumada o que para mim, não foi uma pega.

 

No que toca ao toureio a pé, António Ferrera voltou a Lisboa para levantar público dos assentos com a sua primeira actuação, frente a um bom toiro (pena que escasseasse na apresentação) com 504 kg. Ferrera não é toureiro de arte, é toureiro de públicos e se calhar num país e numa Festa como a nossa, já muito nos daremos por contentes, de ver as bancadas vibrar com toureio a pé. Esteve espectacular como sempre no tércio de bandarilhas. Mas na muleta gostaría eu de ver Antonio Ferrera com mais temple (e na verdade já vi, toureio de tentadero é sempre muito mais sentido que nas praças), com menos desapego... mas o que lhe falta disso, põe ele de arrimo, de entrega e respeito pela Praça de Lisboa. Duas voltas e um público de pé a aplaudi-lo e volta com ganadero. No seu segundo, com 522 kg, voltou a brilhar nas bandarilhas e tentou repetir a dose na faena de muleta, mas não teve tanta sorte, com o toiro a ficar-se mais curto na muleta e a ser muito levado para fora.  

 

Luís Bolívar tinha a missão de substituir Talavante. No seu primeiro toiro com 505 kg, pouco toureio se viu. Ou pelo menos um toureio consistente. Andou muito supérfluo, sacando-lhe a muleta da cara a cada tanda. Pouco ou nada para registar. Melhorou a qualidade do toureio no seu segundo, com 512 kg, e ainda que uma faena quase sempre assente no pico da muleta e de pouca profundidade, foi uma actuação mais bem conseguida e aproveitou melhor as qualidades da rês. No final também deu volta com ganadero.

 

Dirigiu a corrida o sr. Ricardo Pereira, assessorado pelo veterinário José Manuel Lourenço, onde 3/4 de casa forte foram preenchidos e o ambiente de alegria açoriana foi tónica dominante. Faltou o craque 'chinês' (Talavante)... mas se nós portugueses não merecemos o seu valor e respeito, será que merece ele as nossas praças e o nosso dinheiro?!

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